XXVI ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA DA ANPUH-SP: O FUTURO DO PASSADO: MEMÓRIA, HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA

05 Set 2022 0 comment
Tomado de empréstimo de Koselleck, o mote deste Encontro – futuro do passado – expressa, em primeiro lugar, a complexa relação que se estabelece entre o processo histórico, em sua singularidade, e as diferentes, múltiplas e sucessivas maneiras pelas quais tentamos evocá-lo e compreendê-lo. É o que demonstram os trabalhos regularmente apresentados em nossos eventos, sempre preocupados em refletir, sobre cada área temática, a pertinência e a atualidade de uma abordagem crítica do passado. Mas há outra razão que torna oportunas tais reflexões: os sessenta anos de nossa entidade. Em Marília (SP), entre os dias 15 e 21 de outubro de 1961, realizou-se o I Simpósio de Professores de História do Ensino Superior. Das 24 moções então propostas pelos participantes, a primeira, de autoria de José Roberto do Amaral Lapa, professor da Faculdade de Filosofia de Marília, defendia a criação de uma entidade que pudesse “congregar os professores universitários de História”. A ideia encontrou eco imediato entre os participantes do simpósio, dando origem, no ano seguinte, à ANPUH – Associação dos Professores Universitários de História, com 81 membros fundadores. Em sua longa trajetória, nossa Associação esteve sempre aberta ao diálogo com os profissionais e os estudantes de História, de modo a acompanhar as discussões acadêmicas e políticas de que foram e são protagonistas. É hora, pois, de fazer uma avaliação dos resultados alcançados pelo movimento associativo em seu contínuo embate com os desafios do tempo presente. E de entender os desdobramentos futuros e necessários daquela iniciativa que, desde 1962 e de modo constante, tem procurado garantir a legitimidade de nossas ações como docentes e pesquisadores.

O tema central do XXVI Encontro Estadual de História coloca no centro do debate o tempo, esse tempo presente que não perde de vista sua relação com o passado e o futuro. Revisitar a história da ANPUH, nesse exercício de rememoração, significa “reencontrarmos a nós mesmos e a nossa identidade”, como afirmou Bobbio.O futuro do passado pertence às novas gerações de profissionais da História, que constroem narrativas em múltiplos espaços, públicos e/ou privados, fundamentais para a preservação de heranças identitárias e também para o enfrentamento dos desafios do tempo presente, marcado pela cultura virtual e por novos paradigmas em todos os campos da atividade humana.

Ao darmos as boas vindas aos participantes do Encontro, evocamos as palavras do professor Amaral Lapa em seu discurso de encerramento do I Simpósio, que espelham, em parte, os anseios da Comissão Organizadora:

Não somos o que somos exclusivamente pelo que somos, isto é., a nossa maneira de ser não está repousada apenas em nós mesmos. Fomos, somos e continuaremos a ser parcela de um mundo do qual e para o qual vivemos. Essa tomada de consciência foi, em grande parte, leitmotiv desta jornada de uma semana. Eis a tamanha responsabilidade que assumimos perante as gerações que estão vindo dialogar sobre História conosco.

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