VII ENCONTRO DISCENTE DE HISTÓRIA DA UFRGS

24 Abr 2024 0 comment
Agora falamos em futuros?
História e ensino entre cosmovisões, corporeidades e tecnologias

O VII Encontro Discente de História da UFRGS (EDHIST) nasce de preocupações da nossa época. O ano de 2023 foi o mais quente já registrado em nível mundial, como resultado da contínua emissão de gases do efeito estufa. As previsões para 2024 tampouco são reconfortantes: inundações, incêndios e ondas mortais de calor. Nada disso é novo. Afinal, não faz muito tempo que passamos pelo impasse de recompor uma relativa habitabilidade diante de uma pandemia que não foi igual para todos. O futuro, desse ponto de vista, surge a nós em tons de catástrofe. Mas há quem diga, em contrapartida, que a “modernidade”, através dos avanços tecnológicos, irá superá-la. Sim, a mesma “modernidade” que por séculos expôs milhões de pessoas a toda sorte de epidemias, guerras, desterros e opressões, gerando verdadeiros “holocaustos coloniais”, na expressão de Mike Davis, promete um futuro róseo, repleto de algoritmos invisíveis e livre das amarras do corpo físico e mortal.

Tudo isso, a propósito, já impacta sobre a história e o ensino. As mudanças climáticas nos levam a questionar a velha separação entre humano e natureza, na medida em que é a humanidade que está alterando a dinâmica planetária; e o próprio planeta Terra, que antes era visto como um mero palco da história, vem gradualmente adquirindo uma dimensão tão significativa quanto a cultura, a sociedade, o Estado e outras categorias históricas essenciais. Ao mesmo tempo que padece de antropocentrismo a máxima sobre a história ser o “estudo do homem no tempo”, as mudanças tecnológicas engendram novos meios de sociabilidade e formas de produção e difusão de conhecimentos que evidenciam, uma vez mais, como os discursos acadêmicos e escolares não vivem sós. Seja assombroso, seja otimista, as duas questões, no fundo, nos instigam a refletir sobre o futuro da humanidade. Mas qual humanidade, poderíamos perguntar, se as formas de ver o mundo decerto não são universais?

Para Ailton Krenak, como só agora podemos falar de uma ameaça de extinção, quando os povos indígenas há muito tempo vivem encurralados em seu próprio território? Como nos sentimos mais próximos da realidade do que de uma ficção científica ao pensar na Terra como algo separado de nós mesmos? E por falar em ficção, esta muitas vezes é o melhor recurso para representar aquilo que olhamos, mas não vemos, segundo Saidiya Hartman. Foi essa, aliás, a saída de W. E. B. Du Bois em “O cometa”, uma ficção sobre o fim do mundo escrita depois da pandemia de 1918, para expressar as atrocidades coloniais. Que outras tantas cosmovisões poderíamos conhecer?

Diante disso, o VII EDHIST terá como temática geradora as perspectivas de futuros em torno das discussões sobre cosmovisões, corporeidades e tecnologias. Nele, buscamos reunir, nos dias 24, 25 e 26 de abril de 2024, trabalhos nas mais diversas áreas da história, entre estudos empíricos, experiências didáticas/públicas e reflexões teóricas, dentro de múltiplos Simpósios Temáticos.

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