REVISTA TEMPO AMAZÔNICO

Organizadores:
Ms. Wladimyr Sena Araújo (UNIRIO)
Dr. Marcos Vinícius de Freitas Reis (UNIFAP)

Ayahuasca é uma substância feita com a decocção de um cipó (Banisteriopsis caapi) e de uma folha (Psychotria viridis). A terminologia vem do quéchua e significa e, conforme Schultes (1992), significa “vinho das almas” ou ainda “liana dos espíritos”. Para Hiphgine (2013) expressa “cipó com uma alma”. A bebida é usada desde tempos imemoriais por indígenas da Amazônia e dos Andes. Os seus saberes foram repassados, posteriormente, para vegetalistas, curandeiros, seringueiros, também, homens que, posteriormente, fundaram instituições religiosas usuárias do chá sagrado, a exemplo de Antônio e André Costa, que conceberam o Círculo de Regeneração e Fé, em Vila Brasília – Acre, Raimundo Irineu Serra, criador do Santo Daime e Gabriel Costa, que instituiu a UDV, na década de 60. A partir do final do Século XX, este campo foi ampliado, agregando outros atores, a exemplo de neo – ayahuasqueiros, neo – vegetalistas, neo – pajés e terapeutas. Permeado por práticas e representações, que manifestam visões de mundo (CHARTIER, 1991), estes atores - do ponto de vista coletivo – exprimem algum tipo de religiosidade que são marcados por sinais diacríticos, identificando-os por meio de aproximações, contrastes e continuidades entre si. Estas diferenças, por sua vez, produzem discursos de aceitação ou negação entre esses grupos, assim como do estado nacional, e da sociedade envolvente. Estas relações de poder ainda estão latentes no âmbito destas religiões e nas suas interfaces com o estado e setores da sociedade, e constituem o primeiro ponto de abordagem deste dossiê. Portanto, faz-se necessário um olhar sobre: a) antiproibicionismo do uso da ayahuasca, considerando os entraves e avanços da legalidade do uso da ayahuasca em cultos religiosos; b) aspectos jurídicos sobre esta substância enteogênica levando em consideração as visões do estado nacional brasileiro, e de outras nações, contrastando com o olhar cultural daqueles que fazem o uso de forma sacralizada; c) construção de poder no âmbito das coletividades ayahuasqueiras; d) hierarquia e conflitos internos; e) conflitos entre grupos; f) poder e relações de gênero, no âmbito de grupos e religiões que ingerem o chá. O segundo aspecto se refere a saúde, que é compreendida como uma das principais características, de caráter transversal, a estes grupos e comunidades. A abordagem deste ponto deve levar em consideração questões relativas a: a) representações e discursos acerca de doença e cura; b) aspectos cosmológicos, ritualísticos e performáticos concernentes a esta questão; c) êxtase como elemento necessário ao reestabelecimento físico, espiritual e psicológico; d) compatibilidade do assunto com os diversos tipos de saberes decorrentes da ayahuasca, uma bebida professora; e) ayahuasca e outras plantas professoras, na relação entre doença e cura/saúde.
Os artigos devem ser enviados para o e-mail da revista até o dia 30 de Outubro de 2021 (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.). poderão ser enviados ainda resenhas, relatos testemunhais em primeira pessoa, traduções de textos clássicos e sob domínio público feitos pelo próprio emtente da matéria, análise e leitura de imagens históricas. As normas de publicação podem ser acessadas no site http://www.ap.anpuh.org/tempoamazonico. A RTA também receberá contribuições para as sessões de artigos livres, resenhas, entrevistas e ensaios de pesquisa em caráter de fluxo contínuo

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