JAMAXI

Chamada para publicação de artigos – Dossiê: Narrativas de viajantes sobre a “Amazônia” e o contraponto decolonial: as muitas formas de desdizer o dito - Organizadores: Agenor Sarraf Pacheco (UFPA) e Sérgio Roberto Gomes de Souza (UFAC)

Dossiê: Narrativas de viajantes sobre a “Amazônia” e o contraponto decolonial: as muitas formas de desdizer o dito

Os estudos decoloniais têm produzido uma diversidade de análises que confrontam narrativas produzidas por diferentes personagens entre eles religiosos, cronistas, literatos, cientistas/naturalistas construídas a partir do advento da modernidade. Para Enrique Dussel (1) a modernidade engendra-se no final do século XV e caracteriza-se enquanto um fenômeno europeu, porém, constituído a partir de uma alteridade não europeia, que perpassa seu conteúdo. Walter Mignolo (2) nos alerta que a modernidade tem uma “face oculta”, no caso, a colonialidade. Para esse autor, sem a colonialidade não existe modernidade. Na obra intitulada Seringalidade: A colonialidade no Acre e os condenados da floresta, João José Veras de Souza (3) compreende a colonialidade como uma herança do colonialismo que se mantem até os dias atuais, expressando-se como um padrão, uma matriz colonial de poder global.

Essas abordagens contribuem para a compreensão de um importante paradoxo da modernidade. Se por um lado este movimento apresenta a razão como forma de emancipação, de ruptura com a “imaturidade regional”, com o “provincianismo”, por outro lado expressa uma “irracionalidade” que lhe é inerente: uma “práxisde violência”. (4)

Este dossiê convida autores de trabalhos que problematizem narrativas produzidas por esses diversos viajantes sobre a Amazônia enfatizando, como ressalta o historiador Gerson Rodrigues Albuquerque (5), o processo de produção de uma “Amazônia”, de uma “Amazônia” grafada. Escritos que confrontem construções repetidas com frequência, produtoras de subjetividades, que apagaram/eliminaram de maneira violenta, como nos diz o mencionado autor, línguas, memórias, culturas e histórias, entre os séculos XVI e o XX. Que expressem a pluralidade de sujeitos e territórios sociais existentes nas muitas Amazônias, suas culturas//modos de vida, ações de resistência, em contraponto a uma Amazônia apresentada enquanto um todo homogêneo. Que explicitem contraditos às concepções das Amazônias enquanto espaços vazios de sujeitos e culturas.

Cronograma

  • 15 de agosto a 30 de outubro de 2021: submissão de artigos visando publicação no dossiê;
  • Outubro: publicação on line do dossiê;

As normas de publicação para autores e autoras que irão submeter artigos encontram-se aqui: https://periodicos.ufac.br/index.php/jamaxi/about/submissions



(1) DUSSEL, Enrique. Eurocentrismo y modernidade: Introducción a las lecturas de Frankfurt. In: MIGNOLO, Walter (Org.). Capitalísmo e geopolítica del conocimento: El eurocentrismo y la filosofia de la liberación em el debate intelectual contemporáneo. Buenos Aires: Del Signo, 2014.

(2) MIGNOLO, Walter. Habitar la fronteira: Sentir y pensar la descolonialidad (Antología, 1999-2014). Barcelona: Edicions Bellaterra, 2015, p. 26.

(3) SOUZA, João José Veras. Seringalidade: A colonialidade no Acre e os condenados da floresta. Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas-PPGICH, da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, 2016.

(4) DUSSEl, Enrique. Europa, Modernidade e Eurocentrismo. In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales. Buenos Aires, 2005.

(5) ALBUQUERQUE, Gerson Rodrigues de. Amazonialismo. In: ALBUQUERQUE, Gerson Rodrigues de; SARRAFE, Agenor Pacheco. UWA’ KÜRÜ: dicionário analítico. Rio Branco-AC: Editora NEPAN, 2016

Informações adicionais

  • Tema: Narrativas de viajantes sobre a “Amazônia” e o contraponto decolonial: as muitas formas de desdizer o dito
  • Prazo: 30/10/2021