CONTRA A DESTRUIÇÃO DO CPDOC/FGV: PELA READMISSÃO DE LUCIANA HEYMANN E DULCE PANDOLFI

Em um espaço de menos de duas semanas, a direção do CPDOC (Escola de Ciências Sociais da FGV) demitiu duas das professoras mais conhecidas e identificadas com a instituição: Luciana Heymann e Dulce Pandolfi.

Numa conjuntura de extrema dificuldade das instituições de ensino e pesquisa devido à política anti-intelectual do governo federal e de governos estaduais como o do Rio de Janeiro, política disfarçada de pretensa austeridade, vemos um centro de pesquisa ser destruído por decisão de sua chefia. Enquanto faculdades particulares se aproveitam da "reforma" trabalhista para demitir milhares de professores, um renomado centro de pesquisa sobre a memória nacional, da Fundação Getúlio Vargas, destrói deliberadamente a sua própria memória. As consequências nefastas dessa decisão em muito superam supostos benefícios financeiros de dimensões mesquinhas.

Luciana trabalhava no CPDOC desde 1986, tendo ocupado diversas funções na Coordenação de Documentação e, mais recentemente, coordenou a pós-graduação, liderando um processo que culminou na recente subida de nota do Programa na CAPES. Insatisfeita com os rumos do CPDOC, Luciana havia sido aprovada em concurso público para a FIOCRUZ. Enquanto aguardava ser convocada, continuava dedicando-se com o mesmo afinco de sempre às suas atividades, estando escalada para ministrar disciplina no primeiro semestre de 2018.

Já Dulce, ao longo de seus 40 anos de CPDOC, contribuiu de forma decisiva para diversos projetos que consagraram o nome e o prestígio da instituição. Em 2013 Dulce havia sido demitida pela Direção do CPDOC, o que desencadeou uma mobilização de mais de duas mil pessoas, que assinaram uma carta de solidariedade à professora, auxiliando na reversão da demissão. Este documento, que pode ser acessado em http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=P2013N43949 , deixa claro o reconhecimento público ao trabalho desenvolvido por Dulce, no país e fora dele, de acadêmicos em diversos estágios de suas carreiras, assim como de profissionais de fora da academia.

A justificativa apresentada para essas demissões sumárias, pelo gerente da Secretaria de Recursos Humanos da FGV, foi o cenário econômico geral e a dificuldade de equilibrar o orçamento do CPDOC. Apesar de serem fatores de conhecimento público, a comunidade acadêmica questiona a necessidade das demissões e a maneira como foram conduzidas, com o silêncio total da Direção.

O menosprezo pela memória da instituição vem sendo praticada desde pelo menos 2012 quando foi implementada uma política de dispensa de docentes e pesquisadores ao completarem 65 anos, privando o CPDOC (quando nas universidades públicas a compulsória passou de 70 para 75 anos) da presença daquelas que o construíram ao longo de seus mais de 40 anos de existência. O corte da convivência destes docentes com as novas gerações é um dano irreparável que faz obstáculo à transmissão prática da memória no ensino e na pesquisa documental e fragiliza as novas gerações diante das idiossincrasias da Direção.

Os abaixo- assinados, professores, colegas e alunos de diversas instituições acadêmicas, bem como cidadãos e cidadãs que reconhecem a importância do CPDOC/FGV dirigem-se ao presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal pleiteando a imediata reversão das demissões.

A ANPUH-Brasil assina este documento e recomenda a todos que façam o mesmo.

Assinar em: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR104100

 

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