
ATA DE DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS DO PRÊMIO ANPUH - ORÍ BEATRIZ NASCIMENTO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E PRODUTOS TÉCNICOS
Data: 27 de junho de 2025
Local: Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação – ANPUH-Brasil
Presidência da Sessão: Thais Alves Marinho (PUC Goiás) – Diretora de Pós-Graduação (ANPUH-Brasil)
A Associação Nacional de História (ANPUH), por meio de sua Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação, torna pública a presente ata com os resultados da primeira edição do Prêmio ANPUH - Orí Beatriz Nascimento de Intervenção Social e Produtos Técnicos, instituído com o objetivo de reconhecer produções técnicas e inovações sociais de alto impacto, vinculadas ao campo da História e comprometidas com a transformação social, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A comissão avaliadora, composta pela presidenta da comissão, Thais Marinho (PUC-GO), e também por Fernanda Oliveira Silva (UFRGS) - Diretora de Relações Etnicorraciais e Pautas Antirracistas (ANPUH-Brasil), e colaboradoras convidadas: Tatiana Novais (Fiocruz/DF); Mônica Martins da Silva (UFSC); Janaina Guimarães (UPE); Amanda Mota (UFRGS) e Solange Pereira da Rocha (UFPB), analisou as submissões com base nos critérios definidos no edital, a saber: impacto social, inovação e criatividade, apropriação comunitária e sustentabilidade, além da contribuição para o fortalecimento de identidades e culturas amefricanas.
Analisamos um total de 16 trabalhos homologados - de 17, apenas um não confirmou filiação à ANPUH -, vindos de diversas regiões do país e refletindo a diversidade de formatos e abordagens dos produtos técnicos em História. O processo de avaliação contou com o engajamento criterioso de sete avaliadoras, que realizaram 32 avaliações individuais, garantindo múltiplas leituras e olhares sobre cada projeto inscrito. A comissão procedeu à verificação das maiores médias finais, checando cuidadosamente a adequação de cada trabalho às categorias e aos critérios estabelecidos no edital. Em casos de empate ou dúvida, as decisões foram tomadas por meio de consenso ou votação entre as avaliadoras, assegurando um julgamento justo e transparente. Também foi possível deliberar sobre a concessão de menções honrosas a projetos com relevância simbólica, comunitária ou inovação significativa, mesmo que não tenham obtido as
maiores notas, reconhecendo assim a pluralidade e o impacto transformador dessas iniciativas.
Após criteriosa avaliação, foram definidos os seguintes resultados:
Projeto Vencedor do Prêmio ANPUH - ORÍ BEATRIZ NASCIMENTO 2025:
Layla Maryzandra Costa Silva (Universidade de Brasília)
Projeto: Tranças no Mapa
Síntese: Iniciativa voltada para o mapeamento, valorização e reconhecimento do ofício das trançadeiras negras no Distrito Federal. O projeto construiu banco de dados sociocultural e promoveu oficinas, registros audiovisuais e cartografias afetivas. Inspirado nos conceitos de corpo-mapa e fabulação crítica, dialoga com o legado de Beatriz Nascimento, ao promover reparação histórica e justiça epistêmica.
Acesse: https://drive.google.com/drive/folders/1HYhiQiAz6QKyfDmrwTYNg2Eh3Ko5YDGE?usp=sharing
Menções Honrosas por Categoria
1. Formação Profissional e Capacitação Técnica
Flávia Rodrigues Lima da Rocha (UFAC)
Projeto: Curso em Educação das Relações Étnico-Raciais
Síntese: Formação continuada semipresencial ofertada desde 2013 no Acre, articulando legislação antirracista e práticas pedagógicas transformadoras. Impacto geográfico e social considerável na formação de professores da Educação Básica.
Links: Livro com os trabalho de conclusão de curso da segunda turma do Curso em Educação das Relações Étnico-Raciais, História e Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena: http://www2.ufac.br/editora/livros/ColetneaUniafroprticaspedaggicasemeducaodasrelaestnicoraciaisnaeducaobsica.pdf
2. Material Didático e Educacional
Carlos Augusto Lima Ferreira (UEFS)
Projeto: Vozes e Memória de Curral de Fora
Síntese: Documentário e projeto educativo em parceria com comunidade quilombola da Bahia, promovendo narrativas de resistência cultural e ensino de História alinhado à Lei 10.639/03.
Links: https://drive.google.com/drive/folders/1ITMOmDQXIcF0Ff4T-Cdm9hiZH6MhytlA
3. Produto de Editoração e Comunicação
Bruna Gabriella Santiago Silva (UFRGS)
Projeto: Leituras Pretas
Síntese: Plataforma digital de divulgação de intelectuais negros/as via Instagram, grupos de estudo, oficinas e ações sociais em Campina Grande e Rio Grande do Sul. Alcance nacional com forte presença em redes sociais.
Links: Projeto principal - @leituraspretas https://www.instagram.com/leituraspretas?igsh=MTN3M3RrbjF5NnhlcQ==
Grupo de Estudos fruto do projeto - @cggelen: https://www.instagram.com/cggelen?igsh=MXU3ZDEzaHhwcWhpMA==
Produção de conteúdo em página parceira - @pretitudes: https://www.instagram.com/pretitudes?igsh=Zmx3djhtbzIybHds
Coordenação de pesquisa sobre a Lei 10.639/03 na Paraíba: https://www.abayomipb.com.br/dossie-20-anos-da-lei-10639-03-a-paraiba-fez-sua-licao-2/
Ações com páginas parceiras: https://www.instagram.com/reel/ClMIruAL42F/?igsh=MWRzdHp2ZWhnb2l6Yw==
Biblioteca online: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/10WV84jWJ3kL6Kzqy6MjLyWCWfrz0yG8u
Participação no TEDx: https://youtu.be/Kb4wQPbboAo?si=rb3Pg29t-zVA8DIV
4. Tecnologia Social e Aplicativos
Jaqueline Aparecida Martins Zarbato (UFMS)
Projeto: Museu das Mulheres (Des)conhecidas
Síntese: Jogo digital interativo com abordagem museológica sobre a história de mulheres negras. Produto inovador com ampla inserção em escolas públicas do Brasil.
Link: https://drive.google.com/file/d/1-SIVkfRAaW42lUNeQ-u-Kb_K-ImaD0oL/view?usp=drive_link
5. Eventos e Projetos Culturais de Inclusão
Não houve inscrição nessa categoria.
6. Bases de Dados e Acervos Digitais
Ronald Canabarro (CPDOC/FGV)
Projeto: História Transviada
Síntese: Plataforma que reúne dados de teses e dissertações sobre dissidências sexuais e desobediências de gênero, com ferramentas interativas e divulgação em redes sociais.
Link: www.historiatransviada.com
https://www.youtube.com/@historiatransviada
https://www.instagram.com/historiatransviada/
https://github.com/ronaldcanabarro/
https://hdl.handle.net/10438.3/FK2/DXSEBY
https://hdl.handle.net/10438.3/FK2/TXAZ56
https://maisteoriadahistorianawiki.com.br/concurso-de-edicao-online-mais-diversidade-2024/
7. Ações Afirmativas e Promoção da Igualdade
Cícero Joaquim dos Santos (URCA)
Projeto: Laboratório de Artes, Patrimônio e Cidadania Cultural
Síntese: Formação de jovens negros, LGBTQIAPN+, quilombolas e PCDs em arte e cidadania no interior do Ceará, fortalecendo a atuação do Museu Comunitário Casa da Memória de Porteiras.
Links: https://drive.google.com/drive/folders/1bw41bNP4e-iTvmpDjy_XQe0EUvpBoVWu?usp=sharing –
Textos (portfólio digital e livro): https://drive.google.com/drive/folders/1gP2ZaFmDGTGJ1IRNYH02JcG0wrg0SOPJ?usp=sharing -
Certificação: Algumas oficinas: https://drive.google.com/drive/folders/1lQ8ypN7LFVIlq0ePzZAbdW3MQu7XT9Pt?usp=sharing
Algumas aulas: https://drive.google.com/drive/folders/1PoQ-AZEyQsP1rJ-XkOmTQMXL3Ba8YDWD?usp=sharing
Observações Finais
A comissão parabeniza todos os inscritos pela qualidade, criatividade e compromisso social das propostas apresentadas. A diversidade territorial, epistemológica e política dos projetos demonstra a potência da História como campo de intervenção crítica e reparadora. Beatriz Nascimento estaria orgulhosa!
Para a próxima edição do Prêmio ANPUH - Orí Beatriz Nascimento, é fundamental repensarmos aspectos estruturais do edital à luz das experiências dessa primeira edição. Um ponto relevante diz respeito à delimitação do público-alvo: inicialmente imaginamos que o foco seriam discentes de mestrado e doutorado dos programas profissionais, mas a diversidade de perfis inscritos, incluindo docentes com produção consolidada, revelou um potencial ainda mais amplo de alcance e impacto. Isso nos leva a considerar a possibilidade de categorias distintas ou critérios diferenciados que reconheçam tanto a inovação discente quanto a trajetória docente, valorizando a atuação profissional e sua reverberação social. Outro ponto crucial é a atenção à profunda assimetria de financiamento entre regiões e instituições: projetos inscritos com robusta infraestrutura institucional competiram com iniciativas autônomas e sem recursos, como o notável exemplo de um e-book produzido de forma inteiramente independente, sem bolsa ou financiamento. Essas desigualdades estruturais precisam ser reconhecidas no processo avaliativo, talvez por meio de critérios de proporcionalidade ou menções especiais a produções de alta relevância feitas em contextos de escassez. Essas reflexões visam qualificar o edital enquanto instrumento de justiça epistêmica e redistributiva no campo da História.
Além das melhorias estruturais do edital, é essencial destacar o papel estratégico dos produtos técnicos para a produção de conhecimento com impacto social direto. Os programas profissionais e, em especial, o ProfHistória, cumprem uma função crucial ao ampliar os horizontes da pós-graduação no Brasil, deslocando o eixo da produção científica puramente acadêmica para práticas que dialogam com a escola básica, os territórios, as redes comunitárias e os espaços de memória. A História Pública ganha centralidade nesse processo, pois esses produtos—como cursos, documentários, oficinas, materiais didáticos e aplicativos—atuam diretamente na formação cidadã, no combate ao racismo e na valorização de memórias subalternizadas. O documentário Orí, de Beatriz Nascimento, é um marco histórico desse engajamento, pois, para além de ser um registro visual, é também um dispositivo de formação política e epistêmica. Assim, valorizar produtos técnicos de impacto, como os contemplados nas categorias do prêmio, é reconhecer a potência transformadora da História quando feita com, por e para o povo.
A cerimônia oficial de entrega do Prêmio ocorrerá durante o 33º Simpósio Nacional de História, em 17 de julho de 2025. Os finalistas receberão certificados e seus projetos serão divulgados no portal da ANPUH, em formato digital acessível, conforme definido no edital.
Nada mais havendo a tratar, eu, Thais Alves Marinho, lavrei a presente ata, que segue assinada digitalmente e será encaminhada para publicação nos canais oficiais da ANPUH.
Thais Alves Marinho – Diretora de Pesquisa e Pós-Graduação da ANPUH
Comissão Julgadora do Prêmio ORÍ – 2025


































































































