MOÇÃO DE REPÚDIO AO GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO

A Associação Nacional de História (ANPUH), reunida em seu 33º Simpósio Nacional, vem a público expressar seu repúdio ao genocídio perpetrado pelo Estado de Israel contra a população palestina, especialmente na Faixa de Gaza, e denunciar a cumplicidade — ativa ou omissa — da chamada comunidade internacional diante de crimes de guerra cometidos à luz do dia.
28 Jul 2025 0 comment  

Desde outubro de 2023, Gaza tem sido submetida a uma ofensiva militar devastadora, acompanhada do bloqueio total ou parcial de água, alimentos, medicamentos e energia. A destruição deliberada de escolas, hospitais, abrigos e centros civis configura clara violação ao direito internacional humanitário.

Estima-se que mais de 65 mil civis já tenham sido mortos, entre os quais mais de 15 mil crianças, com milhares de feridos, mutilados e deslocados. Trata-se de uma política de limpeza étnica, como vêm denunciando diferentes organizações internacionais vinculadas à ONU e figuras públicas, inclusive israelenses, entre elas o ex-primeiro-ministro Ehud Olmert.
Enquanto isso, os governos dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia têm se mantido cúmplice dessa tragédia, ao prestar apoio político, militar e econômico ao Estado de Israel. A imprensa corporativa internacional, por sua vez, insiste em qualificar o massacre como “guerra”, omitindo a assimetria brutal entre um exército altamente armado e uma população cercada, empobrecida, privada de direitos e exposta à destruição total.
A ANPUH reconhece que, diante de crimes dessa magnitude, o silêncio equivale à cumplicidade. O compromisso ético e político dos historiadores e historiadoras com os direitos humanos, a História, contra silenciamentos e falsificações do passado, pela memória dos povos oprimidos e a justiça social nos obriga a tomar posição pública em defesa da vida e da dignidade do povo palestino, do seu direito a defender sua exist6encia histórica e sua soberania.
Diante disso, a Associação manifesta:
1. Seu repúdio à política de extermínio praticada pelo Estado de Israel contra o povo palestino;
2. Sua solidariedade ao povo palestino e sua luta histórica por autodeterminação nacional, dignidade e justiça;
3. Seu apoio a iniciativas de boicote acadêmico, cultural e institucional ao Estado de Israel, em consonância com os princípios da campanha internacional BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções);
4. Sua indignação diante da aprovação, pelo Senado Federal brasileiro, do projeto que institui o dia 12 de abril como “Dia da Amizade Brasil-Israel”, especialmente no contexto atual, marcado pela intensificação do massacre;
5. Seu apelo ao governo brasileiro para que reforce sua oposição ativa aos crimes de guerra em curso, inclusive por meio do rompimento de relações comerciais e diplomáticas com o Estado de Israel, responsável pelos massacres;
6. Seu chamado à comunidade acadêmica, às universidades públicas, aos centros de pesquisa e às entidades científicas do Brasil para que não se calem e se unam em repúdio ao genocídio e em solidariedade ao povo palestino.
Reafirmamos o compromisso da Associação Brasileira de História com os princípios democráticos, com o direito internacional, com a autodeterminação dos povos e com a preservação da memória histórica das lutas dos povos oprimidos. Não há neutralidade possível diante de um genocídio.

Belo Horizonte, 17 de julho de 2025