Informativo Extra da ANPUH-SP, Ato em defesa da História!

Na quarta feira (20/08/2025) a ANPUH-SP organizou uma Assembléia em defesa do ofício de historiador, venha conferir nosso informativo e somar nossa luta!
25 Ago 2025 0 comment  

Audiência Pública reúne mais de 250 pessoas na Alesp
em defesa da História
 
No dia 20 de agosto, o auditório da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi palco de uma expressiva audiência pública em defesa da História e de seus profissionais, organizada pela ANPUH-SP (Associação Nacional de História – seção São Paulo). O evento reuniu mais de 250 participantes, entre estudantes, professores da educação básica e do ensino superior, lideranças sindicais e representantes de movimentos sociais e estudantis, num ato que denunciou os ataques à História e ciências humanas no Brasil, as políticas de precarização da escola pública do governo Tarcísio de Freitas, o modelo de plataformização do ensino, a diminuição das aulas de História, o assédio moral aos professores.
Esses ataques não são isolados: compõem uma ofensiva mais ampla contra a democracia, a liberdade de ensino e a soberania nacional. A iniciativa, apoiada pelo gabinete da deputada Bebel (PT), buscou articular uma campanha de mobilização permanente, unificando professores, estudantes e entidades da sociedade civil em defesa da História.
 
Diversidade de presenças e apoios
Entre os presentes estavam diretoria, conselho e associados da ANPUH-SP, representante da ANPUH-BR, dirigentes do Sindicato dos Professores Municipais de São Paulo (SINPEEM), da Federação dos Professores do Ensino Privado (FEPESP), dos SINPRO São Paulo e ABC, além de representantes de centros acadêmicos e coletivos estudantis da USP, Unicamp, Unifesp e PUC-SP. Outras entidades ligadas à filosofia, à educação e às ciências humanas também marcaram presença, bem como parlamentares ligados à defesa da educação pública, como o líder da bancada do PSOL deputado Guilherme Cortez e o próprio mandato da deputada Bebel (PT).
 
Denúncias de censura e perseguição
Na mesa de abertura, o professor Everaldo Andrade, presidente da ANPUH-SP, apresentou um histórico dos ataques ao ensino de História, destacando a tentativa de reduzir a carga horária da disciplina, o cerceamento da liberdade docente e as ameaças a professores em diversas regiões do estado. Ele defendeu que a comunidade historiadora precisa construir uma resposta unificada, dialogando com outras áreas de ciências humanas ameaçadas e dirigida tanto às autoridades quanto à sociedade paulista.
A professora Laura de Mello e Souza da USP destacou o papel histórico da ANPUH desde os anos 1980, quando a entidade foi decisiva na retomada do ensino de História como disciplina obrigatória.
Já o professor Paulo Melo (UEPG), vice-presidente da ANPUH-Brasil, alertou que São Paulo se tornou uma “ponta de lança” dos ataques contra os historiadores, mas garantiu que a entidade nacional apoiará e dará visibilidade a todas as mobilizações.
Outros participantes da mesa de abertura trouxeram denúncias concretas. O professor Antônio Simplício de Almeida Neto (Unifesp), representante do GT Ensino de História da ANPUH-SP, apresentou dados sobre como as plataformas digitais e políticas do governo estadual precarizam o trabalho docente e restringem o pensamento crítico.
O diretor de escola pública Marcos Manoel, da Frente Democrática em Defesa das Escolas Públicas, apresentou um levantamento estadual de casos de violência e perseguição em escolas.
Em um dos relatos mais impactantes, o professor César Cruz, da rede municipal de Ilhabela, contou como foi alvo de assédio de pais, gestores escolares e autoridades municipais, que censuraram suas aulas de História, pressionando-o a pedir demissão e a abertura de um processo contra ele pela prefeitura da cidade.
 
Vozes dos sindicatos e universidades
Na segunda parte da audiência, diversas entidades e presentes se manifestaram. Representantes do Sinpro (ABC e São Paulo), do Sinpeem e de fóruns regionais de educação denunciaram perseguições e precarização da carreira docente. O prof. Iberê do Sinpro São Paulo, José Donizete Fernandes, vice-presidente do Sinpeen, José Jorge, do Sinpro ABC e do fórum regional de educação.
Professores da Unifesp, Unicamp, USP e PUC-SP também marcaram posição em defesa da disciplina, lembrando que os cursos de História têm sido espaços fundamentais de formação crítica. A professora Elaine Lourenço representou a reitoria e o curso de História da Unifesp, como também o professor Fernando Teixeira, chefe do departamento de História da Unicamp. A professora Kátia Braghini, secretária-geral da Anpuh-SP falou pela PUC de São Paulo. O professor Maurício Cardoso (USP), representando o Departamento e História da USP destacou o papel decisivo das professoras de História em sua própria trajetória profissional. Já Marcos Almeida (USP), secretário-geral da ANPUH-Brasil, reforçou que a campanha paulista terá apoio da entidade em âmbito nacional. A professora Veruska, do conselho da Anpuh-SP falou em nome do cursinho popular Mabel Assis da Unifesp-Guarulhos e a professora Mara da ETEC de Franco da Rocha denunciou as perseguições que vem sofrendo em sua escola. O prof. Carlos André, da rede municipal de Santos falou das dificuldades em sua região. Estudantes também se pronunciaram: centros acadêmicos da USP, Unicamp e Etecs relataram suas experiências e solidariedade na uta comum, enquanto coletivos como a União da Juventude Rebelião e a Marcha Antirracista de Guarulhos denunciaram ataques racistas e autoritários. O DCE da USP e os centros acadêmicos da Unicamp e USP também tomaram a palavra.
 
Lançamento da campanha “Mais História”
Ao final do encontro, a ANPUH-SP lançou oficialmente a campanha “Mais História”, com a divulgação de um abaixo-assinado público. O documento reivindica:

  • o reconhecimento da História como disciplina curricular obrigatória;
  • o cumprimento do piso nacional dos professores;
  • a revogação das resoluções que diminuem a carga horária da disciplina;
  • o respeito à liberdade de ensinar;
  • a regulação do uso de inteligência artificial e plataformas digitais na educação;
  • a inclusão da ANPUH-SP no Conselho Estadual de Educação.

O abaixo-assinado já está disponível para apoio popular no link: https://chng.it/Tc5pKvCMgj. A intenção é reunir milhares de assinaturas e entregá-las ao governo estadual, à Assembleia Legislativa e ao Ministério Público.
Além da coleta de assinaturas, a ANPUH-SP irá ampliar a mobilização com debates em universidades, parcerias com sindicatos e movimentos sociais, realização de novas audiências públicas em câmaras municipais e a produção de materiais de divulgação como camisetas e canecas. Sem História não haverá Democracia e soberania nacional. É hora de levar a campanha para as ruas, escolas e salas de aula, fortalecendo a defesa da História e dos seus profissionais.

 

Historiador, historiadora, professores de história e toda sociedade que enxerga o valor da ciência histórica para a cidadania. Nos ajudem assinando esse abaixo assinado e compartilhando com seus contatos!
Acesse o abaixo-assinado em: https://www.change.org/p/em-defesa-da-hist%C3%B3ria-abaixo-assinado-ao-governador-do-estado-de-s%C3%A3o-paulo-e-%C3%A0-alesp