
Professoras e professores de história da rede municipal de São Paulo se reuniram com a Anpuh-sp no dia 15 para debater a situação do ensino de história na Secretaria Municipal de Educação. Participaram cerca de 30 professores do município incluindo membros do Grupo de Trabalho (GT) formado para a atualização do currículo de história, membros do Sinpeem e servidores de várias Diretorias Regionais de Ensino (DREs).
Embora a atualização curricular tenha sido prevista desde o lançamento do Currículo da Cidade em 2017 (adaptado à BNCC em seguida), os participantes da reunião manifestaram preocupação em relação à informação de que a Secretaria Municipal de Educação (SME) contratou uma empresa do Paraná para elaborar a atualização do currículo. Temem que tal contratação desrespeite e invalide as deliberações dos Grupos de Trabalho (GTs) formados por professores efetivos de cada disciplina e de cada DRE para atualização do currículo. Constituído pela portaria SME nº8720 de 11 de setembro de 2025, esses GTs, inclusive o de história, concluirão seus pareceres no dia 07 de novembro.
Por trás dessa preocupação está a pressão crescente que a SME tem exercido sobre diretores, coordenadores e professores da rede municipal para melhorar o desempenho dos alunos nas avaliações externas - como a Prova São Paulo, marcada para ser aplicada agora em outubro - conforme determinado pela Instrução Normativa SME nº43 de 5 de outubro de 2025. Na prática, o conteúdo da Prova tem determinado os conteúdos curriculares e servido como justificativa para perseguição dos professores e gestores inclusive por tratarem de assuntos sensíveis como o racismo (que, vale ressaltar, é componente do Currículo da Cidade e tema incontornável do ensino de história). Prova disso é a autonomia dada aos diretores desde 2024 para atribuição de aulas nas unidades escolares (UEs) em detrimento da ordem de pontuação e da escolha de cada docente e também o episódio de grande repercussão da remoção compulsória de diretores de diversas unidades de ensino no primeiro semestre de 2025.
A imposição da expansão do ensino de tempo integral, determinada pela Instrução Normativa SME nº25 de 29 de agosto de 2024 também têm gerado grande preocupação. Mesmo sem habilitação profissional em Pedagogia, professores de história e de outras disciplinas têm sido obrigados a compor sua jornada de trabalho no ensino fundamental I para garantir o cumprimento da carga horária em detrimento, por exemplo, do Programa Mais Educação, composto por projetos complementares elaborados pelos professores de cada UE dentro do escopo do Currículo da Cidade. Membros presentes na reunião do dia 15 também manifestaram inquietação em relação à manutenção da carga horária da disciplina de história dentro da grade curricular do ensino de tempo integral haja vista ao que ocorreu na rede estadual.
Há outros sinais graves que - alertam os professores de história - apontam para a privatização da maior rede de ensino municipal do país. No início do ano, mesmo diante da greve dos servidores da educação, a Prefeitura Municipal de São Paulo só concedeu 2,16% de aumento para os docentes, reajuste abaixo da inflação. Além disso, a SME não realizou o concurso público previsto para a contratação de novos professores anunciando, em seu lugar, a contratação temporária de profissionais de ensino.
Em agosto de 2025, membros do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) ligados ao ensino de história estiveram presentes na Audiência Pública promovida ANPUH-SP na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) em busca de apoio da instituição. A reunião do dia dos professores foi o primeiro passo da ANPUH-SP para estabelecer um canal permanente de escuta para os professores de história da rede municipal e servir como sua porta-voz junto às autoridades municipais. A diretoria da Seção São Paulo se solidariza com suas reivindicações e se une a eles na defesa intransigente do Currículo da Cidade de São Paulo, do ensino de história no município e da integridade, segurança e liberdade de cátedra de professoras e professores da nossa disciplina. Porque sem História não há democracia.

























































































