RESULTADO DO EDITAL PARA CHAMADA DE DOSSIÊS TEMÁTICOS 2026-2028

Resultado da seleção de dossiês Revista História Hoje 2026 a 2028


Dossiê aprovado para o v. 15, n. 35 (set-dez 2026).
Período para submissão de artigos: 1 a 13 de março de 2026
Publicação: set-dez 2026


Ensino de história em conexão com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)


O ensino de História ocupa um lugar estratégico nas reflexões sobre as relações entre o Brasil e o continente africano. Embora por demasiado tempo, tais relações e cooperações tenham ficado de fora dos conteúdos tanto da produção acadêmica quanto da educação básica, em 2003, a histórica demanda dos movimentos negros resultou, na promulgação da Lei nº. 10.639/03 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB nº. 9.394/96 tornando obrigatória a inclusão da história e da cultura africana e afro-brasileira nos currículos da educação básica. Essa mudança `curricular impulsionou o campo da produção do conhecimento a fomentar diálogos que viabilizem não apenas uma reconexão entre Brasil e o continente africano, mas, sobretudo, o reconhecimento das relações interculturais estabelecidas ao longo de séculos entre ambos. Trata-se de uma resposta ao apagamento e epistemicídio histórico produzido pelo racismo estrutural e científico, ao mesmo tempo, de um caminho para o fortalecimento de uma educação antirracista.
Apontamos aqui, como aspecto fundamental desse processo, o estudo dos movimentos de independência ocorridos na segunda metade da década de 1970 na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, sobretudo no que se refere a construção das identidades nacionais. Esses processos históricos suscitam questões cruciais: Como as tensões entre o passado colonial e os protagonismos endógenos vem sendo representados e apresentados nas pesquisas acadêmicas e, também nos materiais didáticos? Quais agências podem ser mobilizadas para a escrita da história contemporânea das lutas negras no Brasil e nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP)? A partir das lutas de libertação e independência, quais fontes documentais, orais, visuais e patrimoniais podem ser acionadas para refletirmos sobre o ensino de História nos PALOP? Também coloca em debate o papel do Brasil nesse cenário, seja pela atuação de Paulo Freire em experiências educativas no continente africano, seja pela criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), na década de 2010, concebida como um projeto estratégico de cooperação acadêmica e política no eixo Sul-Sul.
Nesse sentido, este dossiê tem como objetivo promover o diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores da área de Ensino de História na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Brasil. Busca-se ampliar debates e favorecer a circulação de ideias, experiências de pesquisas e práticas pedagógicas que potencializem novas perspectivas sobre o ensino de História nos PALOP, em articulação com a realidade brasileira.

Cicera Nunes (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.). Doutora em Educação (UFC). Professora na Universidade Regional do Cariri (URCA). Professora vinculada ao Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (Prof.História URCA).
Fábio Eduardo Cressoni (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.). Doutor em História (UNESP). Professor na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Professor vinculado ao Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (Prof.História UFC).
Ivete Batista da Silva Almeida (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.). Doutora em História Social (USP). Professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professora vinculada ao Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (Prof.História UFU).
Tedse Silva Soares da Gama (Nkananda Ka). Mestre em História (UFC). Professor na Associação da Escola Portuguesa na Guiné-Bissau).

Dossiê aprovado para o v. 16, n. 36 (jan.-abr. 2027).
Período para submissão de artigos: 17 a 31 de julho de 2026
Publicação: jan.-abr.-2027


Epistemologias e Agências Não Humanas na Educação: contribuições para o ensino e a reescrita da história


A proposta de dossiê intitulado Epistemologias e Agências Não Humanas na Educação: contribuições para pensar o ensino e a reescrita da história busca dar visibilidade, no campo da educação, à existência de múltiplas formas de aprender, para além das abordagens institucionais e escolarizadas. O dossiê tem como objetivo principal questionar e subverter a epistemologia antropocêntrica que historicamente tem asfixiado a área educacional, ao restringir as práticas de ensinar e aprender ao domínio do humano. Considera que, nos currículos de história, pode pulsar práticas de ensino inscritas em outras lógicas capazes de contornar a dureza impregnada nas ciências modernas ao trazer outros olhares para o enfrentamento da crise climática e humanitária que vivenciamos hoje.
Nesse sentido, o presente dossiê busca reunir produções intelectuais de diferentes campos do conhecimento centradas nos processos de aprendizagens com seres não humanos, a exemplo das plantas e animais. Contudo, uma vez que o campo educacional considera a educação um ato exclusivamente humano, como é possível admitir a aprendizagem com entes não humanos? Por serem considerados sem agência, sem linguagem e sem subjetividade, os não humanos geralmente aparecem nos livros didáticos como meras paisagens ou recursos a serem explorados pelo homem. Dessa forma, o presente dossiê enseja trazer para a cena da educação e da história, a reflexão crítica acerca do humanismo exacerbado e do antropoceno que, ao dessubjetivar os demais seres que compõe conosco o ambiente, os subalterniza enquanto agentes históricos. Para além da crítica, o dossiê visa dar visibilidade a existência de sujeitos diversos, não humanos, que impulsionam outras formas de conhecimento ancorados em práticas, saberes e epistemologias ancestrais e, com isso, problematizar o ensino de história e a historiografia na direção de currículos que pulsem em lógicas plurais de conceber a educação, o ensino, a vida e, por conseguinte, a nossa relação com a natureza.

Maria Betânia Barbosa Albuquerque, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., Doutora em Educação, Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Pará.
Saulo Conde Fernandes, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., Mestre e Doutorando em Antropologia, Professor de História da Rede Municipal de Educação de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Thaís Tavares Nogueira, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., Doutora em Educação, Atua na Secretaria de Estado de Educação do Pará, na Coordenadoria de Educação Escolar Indígena.

Dossiê aprovado para o v. 16, n. 38 (set.-dez. 2027).
Período para submissão de artigos: 1 a 13 de março de 2027
Publicação: set.-dez. 2027


Plataformização e Ensino de História: Entre a Mercantilização e a Inovação Pedagógica


O ensino de História, fortemente marcado pelo embate entre diferentes narrativas e pela construção de memórias coletivas, passou por profundas mudanças nas últimas décadas, em paralelo ao avanço das tecnologias de informação e comunicação. Mais recentemente, o surgimento de uma nova geração de plataformas digitais ligadas ao capitalismo de vigilância — como ambientes virtuais de aprendizagem, sistemas de gestão escolar, repositórios de conteúdo e aplicativos de avaliação — vêm alterando não só a forma de ensinar e aprender, mas também os espaços de produção e circulação do conhecimento histórico.
No Brasil, especialmente após a pandemia de Covid-19, o uso intensivo dessas plataformas ampliou questões já presentes na área educacional: a comercialização de conteúdos, a padronização curricular definida por algoritmos, a redução do papel docente à mediação de pacotes pedagógicos e a invisibilidade de práticas locais e críticas que sempre caracterizaram o ensino de História. Tudo isso levanta dúvidas importantes: de que maneira a plataformização influencia as metodologias de mediação e intervenção didáticas utilizadas no ensino de História? Quais narrativas históricas são mobilizadas ou silenciadas pelas plataformas? E quais são os impactos dessa imersão digital sobre a autonomia docente, a formação crítica dos estudantes e o próprio estatuto do conhecimento histórico na escola? Diante dessas questões, é a existência do ensino como processo crítico e criativo e o próprio exercício da liberdade de cátedra que são colocados em xeque.
Esse debate não é exclusivo do Brasil; em vários países, observa-se o crescimento de empresas educacionais privadas que oferecem “educação como produto”, inspiradas no paradigma processo-produto estadunidense da década de 1960, e que se articula na maioria de suas experiências educativas em parceria com governos, adotando métricas de desempenho e conteúdos alinhados ao capitalismo financeiro, e não necessariamente à formação cidadã crítica, empreendendo processos de accountability educacional. Para além de projetos restritos, as chamadas “Big Techs” expandem suas áreas de atuação não apenas para vender produtos e serviços para a educação pública e privada, mas também para coletar dados de docentes e discentes, transformando-os em produtos a serem comercializados para a consecução de interesses que não são de conhecimento público. Para o ensino de História, isso implica em novas fronteiras entre a história acadêmica, escolar e pública, já que as plataformas passam a controlar o acesso às fontes históricas e influenciam interpretações e discussões.
Assim, o dossiê temático “Plataformização e Ensino de História: Entre a Mercantilização e a Inovação Pedagógica” propõe um espaço de análise crítica que vá além do uso técnico da tecnologia. O objetivo é reunir trabalhos que discutam os efeitos, desafios e potencialidades desse fenômeno na prática docente, na formação de professores, nas políticas públicas e na construção de sentidos históricos no ambiente digital. Pretende-se fomentar um debate interdisciplinar e internacional, aproximando perspectivas de diferentes contextos para refletir como a plataformização impacta as diversas dimensões do ensino de História contemporâneo.

Valéria Filgueiras
Doutora em Educação pela UNICAMP; professora associada da Universidade Federal de Rondonópolis – UFR; O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Luis Fernando Cerri
Doutor em Educação pela UNICAMP; professor associado da Universidade Estadual de Ponta Grossa- UEPG; O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Augusto Ridson de Araújo Miranda
Doutor em Educação pela UECE professor de História da rede estadual cearense, lotado no CDIE-SEDUC-CE; O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Dossiê aprovado para o v. 17, n. 39 (jan.-abr. 2028).
Período para submissão de artigos: 17 a 31 de julho de 2027
Publicação: jan.-abr. 2028


Ensinar e aprender História na contemporaneidade: abordagens, sentidos e práticas


O Ensino de História constitui-se na articulação do e no tempo presente, pois o conhecimento histórico escolar — assim como o acadêmico — resulta de uma operação situada em um espaço e em um tempo específicos, orientada por determinados objetivos e mobilizando as relações e tensões entre passado, presente e a elaboração de futuros. Nesse sentido, docentes de história e estudantes são construtores e construtoras desse conhecimento a partir das culturas escolares em que atuam, do contexto político e social em que estão inseridos, assim como das culturas históricas que os(as) interpelam. Em suas aulas, docentes reinterpretam, selecionam e recriam os conhecimentos, tecendo uma trama única a partir de materiais didáticos, programas curriculares, legislações e orientações pedagógicas, em diálogo com as demandas da sociedade e as demandas de seus(as) alunos(as) e das culturas escolares. Esses(as), por sua vez, não são indiferentes às aulas, pelo contrário. Diversas pesquisas têm demonstrado que estudantes não são receptores(as) passivos(as) do ensino, mas produzem sentidos próprios a partir das aulas, reelaborando os conteúdos escolares em função de suas experiências, trajetórias profissionais, relações sociais, expectativas e referências culturais.
Nas últimas décadas, passado um tempo das transições democráticas no espaço ibero-americano, o tecido social tem sido atravessado por projetos políticos autoritários, conquistas democráticas, emergência de novos movimentos sociais, crises nos sistemas econômicos, e revisionismos históricos que, em alguns casos, resultaram em negacionismos de consensos estabelecidos cientificamente. A virtualização da vida social, impulsionada pela internet e pelos smartphones, tem tornado os últimos anos ainda mais complexos, principalmente a partir dos impactos da pandemia de COVID-19, que redesenhou modos de viver em sociedade.
Convictos da necessidade de pensar o ensino de história em intersecção dessas tramas, propomos o dossiê Ensinar e aprender História na contemporaneidade: abordagens, sentidos e práticas. Almeja-se trabalhos que: 1) Discutam a agência dos professores como autores na mobilização, seleção e reinterpretação de materiais e contextos para a construção situada de narrativas históricas, a partir do diálogo com novos referenciais historiográficos; 2) sejam produzidos em diferentes espaços geográficos, de modo a fortalecer e dinamizar a produção do conhecimento histórico sobre ensinar e aprender história na contemporaneidade; 3) reflitam sobre os temas relativos aos passados sensíveis e os usos do passado nas aulas de história; 4) apresentem investigações a respeito das práticas docentes no enfrentamento de negacionismos e o avanço do discursos de ódio; 5) tratem da agência estudantil no âmbito do conhecimento histórico escolar, sobretudo no que se refere às posições, interpretações e sentidos produzidos pelos(as) estudantes acerca do mundo contemporâneo

Jorge Rolland; O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Doutor (UdiMa, Espanha)
Marcelo de Souza Magalhães; O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Doutor (Unirio, Brasil)
Marcelo Henrique Leite O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Doutor (Unicamp, Brasil)
Mariana Paganini O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Mestra (Instituto Ravignani, UBA/CONICET, Argentina)


Notas da avaliação


1. História das mulheres, ensino de história e tecnologias: Das temáticas às representações públicas. Desclassificada, informações faltantes.
2. Ensinar e aprender História na contemporaneidade: abordagens, sentidos e práticas. 8,1
3. Desafios do Ensino de História em tempos neoliberais: políticas, currículos, formação e avaliação. 7,6
4. O ensino de História na Educação Profissional e Tecnológica: experiências e desafios. 7,0
5. Corpos, memórias e resistências: sexualidades e o ensino de História na Amazônia. 6,7
6. Usos (e abusos) da inteligência artificial no ensino de história. 7,8
7. Ensino de História e livros didáticos: agentes, conteúdos e usos em debate. 7.0
8. Distorcionismo, História Pública e os desafios para o Ensino de História. 7,9
9. Descolonizando saberes: rompendo com o eurocentrismo no ensino de História por meio da arte. 6,5
10. Experiências sensíveis e materiais didáticos no Ensino de História: trajetórias e desafios. 6,2
11. Migrações no Século XXI e o Ensino de História: desafios contemporâneos, crise da democracia e as disputas por narrativas. 7,2
12. Epistemologias e Agências Não Humanas na Educação: contribuições para o ensino e a reescrita da história. 8,7
13. História Pública e Ensino de História: diálogos, práticas e desafios contemporâneos. 7,5
14. História à Mesa: Alimentação, Ensino e Cidadania. 6,0
15. Para além da técnica: ensino de História, cidadania e trabalho na Educação Profissional. 6,9
16. Plataformização e Ensino de História: Entre a Mercantilização e a Inovação Pedagógica. 8,4
17. História das Ciências e da Saúde no Ensino de História. 6,8
18. Mulheres, educação e intelectualidade: (re)escritas interseccionais pautadas na luta por justiça social. 6,0
19. Ensino de história em conexão com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). 8,9